O “Moço de
Vila Real” já nos habituou a comentários sobre a gestão camarária bem
observados, fundamentados e desenvolvidos. O seu comentário que hoje publicamos sobre o Orçamento Municipal para
2015 é mais um contributo informativo que nos ajuda a perceber e ver melhor o
que os números escondem, e vai muito mais longe e fundo do que as críticas ao
Orçamento 2015 feitas pela oposição política.
O orçamento municipal para 2015 apresentado pelos responsáveis
autárquicos vila-realenses é de uma enorme desonestidade política.
Não resolve o grave problema financeiro da autarquia e continua a
agravar essa situação com mais um pedido de auxílio/empréstimo de 14 milhões de
euros ao recém-criado Fundo de Apoio Municipal. Esse pedido decorre
naturalmente da existência de um défice no orçamento corrente de um pouco mais
de 14 milhões de euros. Convém realçar que os programas de apoio exigem aplicação
de taxas máximas de IMI, redução de pessoal e procura de novas receitas
municipais.
As despesas correntes com juros de financiamento já representam quase
quatro milhões e meio de euros, anualmente, isto é, mais de 20% das receitas
correntes.
É desonesto não apresentar uma solução séria para este problema, estão
a fugir às responsabilidades políticas que lhes foram dadas pelos munícipes vila-realenses.
Ao invés, continuam a agravá-lo e a aumentar taxas, licenças e impostos à
população.
É desonesto colocar um número exagerado de cartazes com as palavras
“Fazemos” e “Cumprimos”, promovendo-se à conta de dinheiros públicos.
É desonesto apresentar um orçamento com as rubricas de valor relevante
pertencerem à ” Outros e Outras” sem uma
explicação mais detalhada dos seus valores. Este ano esta estratégia atinge o
valor de 10.321.413 € !
É desonesto apresentar nas receitas correntes um valor estimado de
mais de setecentos mil euros para a remoção de viaturas do espaço público e
mais duzentos mil euros como Taxa Municipal de Proteção Civil.
É desonesto ocupar uma vereadora na gestão de efémeros programas ocupacionais
e não na criação sustentada de empregos.
É desonesto afirmar que os problemas devem-se à crise quando a maioria
das autarquias começa a mostrar melhor desempenho financeiro.
É desonesto continuar a suportar o orçamento com a venda de património,
mantendo a base do desenvolvimento local na construção e não na criação de
negócios que permitam sustentar o crescimento a longo prazo.
É desonesto manter em funcionamento a Sociedade De Gestão Urbana
utilizando “criatividade” na apresentação de contas. Criatividade apontada no
próprio relatório do revisor oficial de contas na apreciação dos juros de mora
aplicados à Câmara Municipal no valor superior a dois milhões de euros e que
permitem a SGU apresentar um resultado positivo quando se não tivessem
contrariando ou “reinventado” o princípio contabilístico do regime do
acréscimo, teriam tido um substancial prejuízo.
É desonesto assinar um ajuste direto de vários milhares de euros com
um elemento de uma concelhia do Algarve do próprio partido a que preside.
E é sobretudo desonesto deixar a autarquia presa à uma enorme dívida
hipotecando seriamente o futuro dos vila-realenses.
Moço de Vila Real














































